story:tell:her

18.9.05

Casting projects

Apetece-me fazer este casaco, mas é uma empreitada grande para o meu tempo de agulhas. No outro dia até tentei imprimir o padrão, mas a impressora tinha encravado no relatório de contas de alguém e eu achei que era um sinal.
Este ano tenho que me controlar em frente às lãs novas e lembrar-me dos pesos e cores de projectos acumulados.
A Mariana precisa de um gorro.
Eu não preciso de um gorro (quanto muito a minha cabeça estará é a encolher), mas apetece-me um gorro.

Notas, na contracapa do menú

Dá-me ideia que antes se ligava mais a estas coisas, às ocasiões. Antes havia menos festas, menos roupas, menos banquetes, mais vidinha. O casamento da mãe desta noiva foi o maior acontecimento familiar da década de 80.
Os requisitos da festa estão cada vez mais exigentes. Na véspera do meu casamento eu não tinha nada para fazer. Fui comprar umas calças de ganga e o meu pai uma gravata, para entreter. Esta noiva ficou ate às 3 da manhã a embrulhar inutilidades para oferecer à malta.
Eu gosto mais de buffets que de cartas, intercaladas por esperas e às vezes gelados de limão.
Viémos embora antes do baile e poupei-nos momentos de dor aguda nos pés e insistências pedinchonas ao marido para me aleijar na pista.
Se não estivesse já cheia de sono e de birra, acho que a Mariana tinha gostado do baile.
Terá havido baile?
Havia uma mesa de putos com vigilância, mas a Mariana ainda não me larga o suficiente para a poder utilizar sem eu ter que comer o peixe lá também.
As pessoas vestem roupas aos putos pelas quais deviam ser processadas por comissões de é(sté)tica.
As pessoas crescidas vestem roupas hilariantes e não se riem com isso.
Se calhar doi-lhes os pés.
Pelo menos às mulheres que desafiam as leis da anatomia humana.
Quero que os noivos sejam muito felizes.

Wedress



Sim, casaram-se e sim, eu usei uns sapatos não redondos. A Mariana estava tão xira e tão arisca a estranhos como de costume. Adorou os seus sapatos (redondos, assim também eu) e o vestido que baloiçava e amortecia as sentadelas no chão. Petiscou, como eu, que refeições fartas não se comem com sapatos novos. Claro que havia imensa comida, como há sempre nos casamentos. Aliás, é sempre disso que se fala e se recorda cá no rectângulo. Isso e o vestido da noiva. Eu gostei muito de ser noiva e de ter um vestido. Lembro-me de balançar a saia. Lembro-me de ter usado os pratos de sobremesa da Mrs Feeney como molde para os recortes do véu, que fiz no quarto ao lado do do maluco, que tinha o tecto inclinado (o quarto e talvez também o maluco) e onde me arrisquei várias vezes a perder a cabeça que levaria o véu. O tule foi comprado numa John Lewis, essa grande instituição britânica, e a fita para os lacinhos num saldo de indianos. Era um véu curto e eu gostava dele. Contrariei o protocolo e comi com a cabeleira branca com lacinhos que me fazia sentir princesa. As miúdas gostam de ser princesas.

16.9.05

Post sem queixumes

Ontem aconteceu uma coisa extraordinária. O pappy foi beber um café ao adro e encontrou o amigo Pedro na rua.
Ora:
o Pedro é um amigo de Edimburgo, com quem o pappy dividiu casa, bollywood e kebabs
que agora vive em Belfast e
que já não víamos há 4 ou 5 anos e
de quem eu gosto tanto e
tenho tanta pena de não ver mais vezes e
que tem um filho, o Lucas, com a Franziska
que toca saxofone e
estava ontem a dois minutos da nossa casa e
o pappy encontrou-o!

Voltámos todos três ao adro, para abraços e uma cerveja, que estas amizades temperadas de malte são sempre escorridas garganta abaixo. O Pedro está na mesma, com menos cabelo, tem uma cottage no campo e faz DYI nela, o que não consigo imaginar. Veio cá ao rectângulo tocar, mas nós vamos a um casamento onde a chinfrineira vai ser outra. Confirmo que continuo a gostar muito do Pedro, com quem ía comer bolos ao Florentin e partilhava dúvidas significativas sobre a sanidade mental doutros compatriotas do burgo.

Não tenho mesmo nada do que me queixar.

15.9.05

Ostra

Quando o nosso pai lê o nosso blog e acha que nós somos uma chata lamentativa é porque está na hora de repensar a nossa imagem no mundo. Ostracizo-me, temperada com limão para arder mais nas feridas da auto-estima.

14.9.05

Gut feeling

A Mariana ainda chora quando fica na escola de manhã. Se for eu a levá-la. E não vale a pena ficar mais tempo, arrastar a coisa. Se for o pai nem tanto. Se for o pai a ralhar nunca mais se ouve, nunca mais exige, aos berros. Se for comigo suga tudo, incluindo a calma e às vezes também a autoconfiança. É uma injustiça, mas é como é.
Eu sou a mãe e com quem nos limpa o rabito não há delicadezas. A sem-cerimónia é orgânica. Ela sou (também) eu e eu sou dela. Às vezes sinto-a outra vez dentro de mim, a revolver-me. Às vezes invade-me.
Acho que gosta da escola. Os choros já não são tão desesperados. Hoje de manhã chegámos mais cedo e andou a mostrar-me a sala e os brinquedos. O pato que o pai desenhou ontem está muito lindo. Eu não teria feito melhor.

13.9.05

Tardo



Em despachar tarefas. Em transferir ideias acumuladas para papel. Preciso de materializar-me em pdfs com executive summary e alguma coisa mais a seguir.

Em decidir que meias levo no sábado a um casamento onde vou com uns sapatos que não são redondos. Que, na verdade, não são meus.

Hemiciclos



Na reunião, o pappy desenhou um pato na parede, ouviu os recados, cansou-se das mãezices militantes. Depois trouxe para casa a capa dos trabalhos para nós decorarmos, o primeiro desenho "oficial" e a primeira esfoladela no recreio. A mummy discutiu o Parlamento. Estou claramente em desvantagem. Pelo menos não discuti com o Parlamento.

Cedo



Gosto das manhãs, do fresco, do dia inteiro pela frente. Antes trabalhava-as mais, agora não quero cortar-lhe os sonos, agora a logística mostra-me céus e sorrisos já abertos. Hoje saí de casa antes das sete e a minha meia de leite partilhou o balcão com taças de branco.

(Quase) cedo, humidamente, à pena de não ter podido ir à primeira reunião de pais da Mariana.

12.9.05

Crafty Plaza

Na quinta-feira, às 19h.
Como diria a Nana*, Viva! com os braços no ar e palmas a seguir.

*A piolha já se auto-refere frequentemente.

FYI - arte contemp

A ver.

espaço-tempo

Uma curvatura impossível?

Catching-up
Em Outubro vou ao Lux com a Pat.
Queres que te marque um cabeleireiro fashion? Ando há que tempos para seguir uma dica da Rosa...

Blue on White

Mariana Totó, já a caminho.

11.9.05

Já 'tá!

Já 'tá quando:

- a mãe liga o secador de cabelo na tentativa vã de escorrer a aparência emaranhada
- a mãe descarrega o autoclismo (eu, que sempre guardei o sistema excretor só para mim, agora partilho intimidades com alguém que, entretanto, me pede colo ou se mira interessada na tampa metálica do rolo do papel)
- a mãe veste uma roupa (qualquer), mas se demora um bocadinho mais no vislumbre de uma combinação que pareça propositada
- já comeu duas colheres de sopa
- chega a casa na sexta feira com um pingo no nariz, que hoje já lhe pesa nos olhos
- ...quase - mente a mãe quando lhe desembaraça o cabelo, tenta esguichar soro ou colherar boca abaixo pelo menos metade do xarope para o pingo
- uma manobra desengonçada de uma piolha numa cadeira de crescido entorna 2/3 da meia de leite, transportada com perícia de circo do balcão até à esplanada, através de portas pesadas e degraus vários
- nem me lembro quando, eu que tenho tudo pendente: trabalho, danças em pista, descontrações, busto, melhorar o francês, aprender o espanhol, depilação, máscara, dentista, fisioterapia, sapatos de salto, escritas várias.
- nunca estará, pois não?

9.9.05

Hip Hop



Parece que hoje já foi quase bem. Claro que a cena da manhã continua em todo o seu esplendor de som e drama. A Lúcia arrancou-a, literalmente, de mim. Como aos dentes. Sem fada.
Noutro lado, noutro momento, a Marta também saíu finalmente da sua mamã. Sem epidural. Custa um bocadinho. É pequenina, como a Mariana. Parece que a Felicidade também esteve por perto. Desejo-lhe tanta.

Eu, que tenho andado com umas dores numa anca*, voltei a comprar umas calças rasgadas. Shame on me. Esta negação das etapas, das in(con)stâncias agarra-se a mim como lapa, eu que [não] sou rocha no temporal. Preparo-me para a rotina imaginada sem furos, acumulo víveres, mimo-me de fugas. Componho-me tipo pivot, com blasers próprios e metades sereia, escamadas.

A tória foi encontrada por acaso e está no top do mês. Com o Boo.

*É a listése L5/S1; mas obrigada, querida Rosa

8.9.05

Escol(h)as

Hoje fugi mais cedo e cheguei lá em plena sesta. Vi-a pela nesga da porta, acordada, calma, a brincar com as pernas e a fraldinha. Vi-a pela primeira vez sem lágrimas e senti subirem-me as minhas. Velei os corredores mais meia-hora. A Lúcia arranjava os livros estragados. Espiolhei as sanitinhas. É tudo muito usado, repintado, mas tem um tecto alto e janelas grandes. Foi a escolha que me pareceu melhor. Também não acredito que as mobílias novas lhe ensopassem melhor as lágrimas. A minha escola primária era muito pobre, fria, gasta e eu gostava muito dela. Não sei. Será que preferia um cenário IKEA? Tenho que tratar da fotografia para o cabide. Será que há escolas com oleados intactos e paredes desarranhadas, com desenhos que não enacaracolem nas pontas e louça gira? Cá em casa a louça é gira e ela não quer comer a sopa. Não troco uma sopa na barriga por uma sopa no prato. Giro.
Convenço-me que é melhor assim, lágrimas lineares, expectáveis, sem filtro. É como os galos e é melhor que saiam para fora do que traumatizem lá dentro. É como nas cartas, aceitam-se as copas e pronto. Amanhã já faz uma semana, a primeira das próximas centenas. Já lhe escolhi a roupa, vai de laranja e verde.

Excessos

Adormecemos de manhã o que acordámos de noite. Ela teve a noite mais agitada dos últimos tempos. De manhã empurrei o carrinho num tempo recorde, troquei-a de braços e baixei-os, moída. Ontem fomos jantar fora e bebi dois copos de vinho a mais. Na verdade só bebi dois copos de vinho. Mas foram a mais. Como este post.

7.9.05

Not so bed

Escola - dia 4

Ontem dormiu uma sestinha. Voltou a comer bem, menos a gelatina. Acho que ela nunca tinha comido gelatina. Eu adoro gelatina, será que embrulham?
Hoje fiquei mais um bocadinho, a bem da ambientação, mas a mal das lágrimas. A minha filha é um estardalhaço de miúda. Muito choro, muito amarinhar por mim acima.
Eu mantive-me. Eu sou a bigger person. Eu sou a mamã que sai. É sempre mais fácil para quem sai; quando eu ía para a Escócia a minha mãe ficava a chorar o dia inteiro; eu já era casada, tinha mais de um quarto de século.
Couraço-me. Lembro-me de todas as fitas puxadas por nada, em casa. De todas as lágrimas passageiras que já lhe vi. Um estardalhaço. Mas tão linda...
Eu saí e fui agarrar humidade até ao comboio. A embalagem descrevia o efeito como Bed Hair e eu, diligente e esperançosa, espalhei aquilo nas mãos e na cabeleira. Bed, bad, who's counting?

Plug and Play



Em frente da minha secretária nova há um painel de comandos com ar retro. No primeiro dia fiz a piada e aconselharam-me a não lhe mexer. Espero nunca vir a estar muito aborrecida...
Só começo oficialmente em Outubro, mas vou indo lá. A logística já está toda tratada e o meu nome na porta. Já tenho uma pigeon hole e um cartão de estacionamento, um email. O telefone falou comigo, mas não sei se nos entendemos. É digital e inteligente, eu sou analógica e um bocado atrofiada.
O bar tem um óptimo pão com manteiga.
Let's rock.

5.9.05

Material girl

Se há coisa que eu gosto é de cadernos e canetas e livros novos. Setembro era o mês das papelarias, das listas dos livros, das forras, das páginas em branco. Setembro era a festa, o quase-escola.
Sempre que consigo um pretexto vou à procura de cadernos. Gosto de espirais que funcionam, de linhas leves e juntas. Não gosto de quadrados nem linhas muito espaçadas. As minhas letras não tocam nas linhas, na verdade eu escrevo entrelinhas.
Cartolina, papel de seda e celofane, cola, lápis de cera. Para ela, que no emprego novo não se devem fazer bonecadas.

Escola - dia 2 (do outro lado)

Cheguei lá depois de almoço. Vinha ao colo, a chorar. Mas era porque estavam todos rabugentos e cheios de sono. Comeu tudo e pediu para repetir. Boa, uma criança infeliz não come. Chorou, mas não foi sempre; de vez em quando lembrava-se. Boa, de vez em quando é diferente de sempre. Boa. Think positive.
Amanhã fica para a sesta.
Amanhã e depois de amanhã, e na semana que vem e... apercebo-me que a escola é quase para sempre, a escola é todos os dias... e eu que gosto tanto da escola... deve ser uma chatice não gostar da escola...
Amanhã também vou para a escola. Desconfio que não vai haver sesta.

Escola - dia 2 (do meu lado)

Fomos. Estava contente por ir, os meninos, na 'cola.
Eu não estava contente por ir. Hoje foi diferente porque já a deixei na salinha azul e não no espaço comum. Já só lá estavam os amiguinhos novos. A chorar, uma metade a chorar e a outra a ver. Estava curiosa com a sala, os brinquedos, distraíu-se. Eu já tinha feito a rábula da mamã, que vem sempre buscar. Vim-me embora. Assim que me viu sair começou a chorar. Eu vim e não fiquei à escuta atrás da porta. Agora estou aqui a alimentar a fantasia de que já está bem.
Vou ali tratar das coisas, do "material de desgaste rápido". Vou ali e já lá volto.

P.S. As mamãs também deviam ter um estatuto de profissional de desgaste, mas não, é para toda a vida...

4.9.05

Mari[a]na



Ontem era dia de festa cá na vila.
Está bonito o porto de recreio e as esplanadas prometem, para quem consiga esplanar.

Ao fim da tarde fui minglar com os que ouviram a história dos chimpanzés. Havia um jantar e a ilusão de que é aqui ao lado, é buffet, é num sítio com jardim, estão lá pessoas que gostavam de a ver, etc... E ela foi. E ela foi-se embora com o pappy, que ainda não tem idade para sorrir para as pessoas certas. Depois de ter mostrado a toda e gente porque é que eu perdi a capacidade de pensar clara e repetidamente, acabei por me divertir à brava com novos e velhos conhecidos, amparada pelo serviço piedoso do senhor que passou a noite a encher-me o copo de vinho branco. Deve ter reparado na minha reputação a esvair-se entre uma criança esfomeada e umas unhas indiscretas.

2.9.05

Escola - dia 1



Já fomos, já chorámos e já voltámos.
Ela está ali a nanar as emoções, a mim doem-me os órgãos internos.
São nove crianças, só duas meninas, na salinha azul. Mas hoje estavam todos juntos, no jardim, a brincar, a chorar. Hoje estava tudo de pernas para o ar. Muito choro, muita fralda, muita chucha, muito colo. Gostei de ver os colos e os consolos. Acho que a Mariana nunca tinha chorado tanto na vida dela. Estava curiosa e calma enquanto eu lá estive; despedi-me e começou o pranto. Fui tratar de burocracias, fui espiolhar a sala, fui espiolhá-la a ela. Não precisei de ver para reconhecer o choro dela. Pedia a mamã, a mamã. A mamã pediu ajuda ao pappy. A mamã acabou por ir lá sossegá-la um bocadinho, brincar no chão verde e fazer umas festinhas noutras lágrimas. A mamã sabe que tem que voltar a sair e ela voltar a chorar.
A loja de crianças nova do centro da vila abriu hoje. É fantástica. Era o antigo cineteatro da terra, é um espaço lindo. Trouxe-lhe um pato e um cocó, daqueles bichos pequeninos que ela adora. Fui chorar mais um bocadinho na casa grande do adro. Eu não sou destas coisas, mas às vezes consola. Assim, chorar.
Acelerei o relógio para voltar lá e trouxe-a, apertadinha.
A mamã vem sempre buscar, a mamã vai vir sempre.

1.9.05

Embargada



Estou exausta.
Os bichos estão mesmo por todo o lado.
E amanhã vai andar tudo louco com a revelação...

Eu vou antes andar louca com a escola nova.
É amanhã, é amanhã. Repito, é amanhã. E foi porque hoje não foi possível. Não, não vou adiar para segunda feira. Pois não vou. Vai ser só um bocadinho. Até ao almoço. A que horas será o almoço? Aproveito para tratar das burocracias, para comprar a bata e o chapéu. Para chorar um bocadinho. É amanhã.

31.8.05

Wild guess

Amanhã vou ali ao lado explicar porque é que os jornais vão estar (ou não) a falar de chimpanzés.

G'day

Hoje vim aqui trabalhar um bocadinho e ter encontros com pessoas.
A minha sala está maravilhosamente fresca, sossegada, calma. A minha manhã foi de gritos, literalmente. Combinações refeitas, coisas para despachar, a roupa que está quase toda num monte na cave à espera da Eugénia, o ferro que já não é usado há um mês e sujou a T-shirt que eu ia vestir. Cuspiu-lhe uma água com pedrinhas. Bof, eu que até o alimento com aquela água de cheirinho (a do Minipreço é boa e muito mais barata), o ingrato. Vesti outro top, deve ter sido uma boa escolha porque me assobiaram duas vezes a subir a D. Carlos. O telemóvel sem carga, acabou-se o feijão verde, a Ângela a tocar e a piolha a correr para as minhas pernas. A piolha a fazer todas as parvoíces de que se lembrou, ao mesmo tempo. A pedir pão com manteiga, a pedir iogurte, a pedir papinha, a não querer nada. A chorar. A chorar à brava. E eu atrasada, sem paciência, com culpa, com o top errado, com as calças amachucadas, eu com os cuanhos (morangos) nas orelhas. Mamã, os cuanhos. E chora. Eu a escolher os legumes para a sopa (acabou-se o feijão verde), a escolher o peixe e a chichinha para levar para a avó, que amanhã eu tenho que parecer normal, que dar aulas e dizer coisas interessantes e surpreendentes, que usar uma T-shirt como deve ser. O oito, o oito. Gosta do oito. Eu gosto do três. Tem um puzzle novo, com números. Avisei a Ângela sobre o ferro cuspidor de pedrinhas. Avisei? Saímos todas com promessa de baloiços, de jardim. E eu fugi a meio caminho, salva por um cão, que ladrou. Obrigada cão, eu que até embirro com aquele cão. Se calhar ladrou-me para o top.

30.8.05

Mariana Totó



Está crescida, a minha menina.
Já sabe os números. Baralha o 2 e o 5 e o 7 tem que ter tracinho ou fica 1. Ainda não consegui arranjar um livro giro para as letras. São todos demasiado ilustrados, demasiado coloridos, demasiado. Vi um bonito, com animais, mas era em inglês e para as letras não me parece apropriado porque os nomes dos bichos não são iguais.
Fala cada vez mais, repete o que dizemos. Já conhece os livros de cor. E ela tem muitos livros. Gosta de bicicletas, como o pappy. Hoje, no supermercado, andou na bicicleta do Noddy. Eu cá tenho uma paixoneta pelo Sly.

Kit Escola



Na sexta feira vai pela primeira vez. Só umas horas. Depois para a semana já vai almoçar e depois dormir a sesta. E depois, depois é a vidinha.
Tem uns sapatos novos e uma mala. A parte da mala é muito importante. Nos livros sobre a escola os meninos têm sempre uma mala. Quando se fala na escola ela lembra logo a mala. Na mala vai uma (f)audinha, a bu e o biberão da água. Na minha mala vão ficar os medos.

Lembro-me muito bem do meu primeiro dia de escola. Já tinha seis anos e uma infância sozinha em casa com a minha mãe e os legos. Estava ansiosa. Depois de lá estar uma boa meia-hora a ver miúdos a choramingar, perguntei à professora quando começava a aula. Então não íamos aprender coisas? Vá, 'bora lá começar, ´bora. Ao meu lado sentou-se o Luís Carlos, que já tinha partilhado comigo o quarto da maternidade. O Nélson, filho do senhor do talho, chorou à brava. Não sei se nesse dia o Joaquim fez xixi na carteira, como em quase todos os outros.
Gosto tanto da escola que ainda lá ando.

Replicate



O pátis para pintar as nunhas.

29.8.05

Amizade é:

Partilhar um provador e não encolher a barriga
Ter saudades
Gozar com as boquinhas que os amigos fazem ao espelho
Gastar no telefone o que se poupa no que não se janta
Contar segredos
Guardar segredos
Dizer mal da família
Gostar das mesmas música e embirrar com os Pink Floyd
Dar abraços de verdade
Gostar dos filhos dos amigos porque são filhos dos amigos
Escolher uma espécie com nome de amiga no meio
Não estar sempre a rir
Não estar sempre a chorar
Ter saudades

28.8.05

Holiday report



As férias acabaram.
Ainda bem, que já estou cansada.

Apontamentos:
- a família é como um bom tinto: consome-se com moderação, num copo grande
- consolei-me do toque dela e de tocar nela
- dormi muito com ela e pouco com ele
- não comi muito, muitas vezes sem proveito; literalmente, ossos do ofício
- a partilha de cama e mesa 24/7 é cansativa, mas realmente extenuante é não poder baixar a guarda, a vigia; ainda ontem à noite se encontrou com a esquina de uma cómoda, oh dear
- estou mais magra e tostada, o que é sempre bom; sei destes factos por "hear say", que não me lembro de me ver ao espelho
- tenho saudades do tempo em que me arranjava para ir a algum lado e em que escovava o cabelo antes de dormir
- gosto de escovar-lhe o cabelo antes de dormir
- diverti-me a vê-la dançar, brincar, falar sozinha, a ler o livro da joaninha no carro; zanguei-me com as rabinices, as birras e as tontices sem hora; fui injusta por cansaço, por falta de paciência; pedi desculpa
- tenho muita pena de não ter tido mais tempo para tricotar; o padrão do cachecol na piscina do Alentejo são as únicas memórias verdadeiramente descansadas destas férias
- não gosto de peixe escalado
- ela gosta de morcela de arroz
- o Caramulo é um sítio extraordinário e ainda não tem um bazar chinês

Baby-talk



Marianinha no Caramulinho.

27.8.05

21M/aioridade



A piolha deixa hoje oficialmente de ser uma bebé. É uma menina.

23.8.05

Next Stop: Caramulo



Ao quarto ano já conta como tradição.

22.8.05

E porque não?



A Maria, pedicure brasileira de muitos carnavais, prometeu-me grandes sucessos à conta do arrojo.
Não tentem fazer isto em casa. A técnica envolvida não é negligenciável.
A Mariana mexeu-lhes e riu-se.
O pappy suspirou.

P.S. Não deixei mexerem-me nas sobrancelhas, ah pois não deixei, que horror, mau-grado as promessas de simetria e quasi-facelift (famous last words?).

(St/D)ressed



Ontem tive esta epifania: ligar à babysitter para ficar de manhã com a piolha. O milagre concretizou-se e eu fui fazer uma bolha no pé para a Baixa e descansei um bocadinho da maratona de maternidade.
Já temos o vestido para o casamento do mês que vem, que vai dar também para o baptizado do primo, os anos dela e o Natal. Cada vez que olho para a etiqueta arranjo mais uma ocasião para o rentabilizar. E fica bem com os sapatos que vamos repetir, para aí número 23.
Depois fui à H&M infantil arrebanhar uma data de coisas básicas, giras e baratas, para a rentrée. Tem collants e polares muito giros. As meninas H&M são uns borrachos, os meninos, coitadinhos, têm de se mascarar de banda desenhada ou super-herói. Uma injustiça.
Já tenho lã azul petróleo, verde e roxa. Já posso fazer folhas e flores para o cachecol. Já posso fazer uma gola para combinar com o blazer de veludo azul que comprei pelo preço das alças do vestido.
Bebi dois sumos de laranja, comi o meu bolo favorito e ainda namorei uns Camper outonais. Ela esqueceu as lágrimas da minha partida nos baloiços, comeu tudo e portou-se lindamente. Obrigada Ângela. Obrigada.

21.8.05

A Família Galaró

História de um primeiro grande tralho:
Era uma vez uma menina que ia a correr, tropeçou e caíu.

História da minha primeira grande aflição:
A minha filha ia a correr, tropeçou e caíu. Parecia uma queda normal, mas ela aterrou com a cara no chão. Esfolou-se, ao pé do olho, tinha terra e pedrinhas na boca; meio minuto depois cresce-lhe uma bola de golfe na testa. Tivémos sorte, estávamos no centro de Castelo Branco, a dois quarteirões do hospital; entrou logo, viram-na logo, "não é nada, é só um hematoma, ela está bem".
Ela está bem. Ficámos mais um par de horas por ali, à sombra, na bicha da farmácia de serviço, por ali, com medo dos vómitos ("o vómito do traumatismo é de jacto, sem aviso"), com medo. Depois voltámos para casa que o passeio estava enguiçado e as aldeias hitóricas são longe e mau caminho. Ao todo passámos umas oito horas no carro.


Adendas à história:
- se alguém me vir na rua, eu sou a mãe da menina amachucada que parece que levou uma tareia
- no hospital, entre as lágrimas e os gritos de "não, não" ao gelo que eu tentava por na testa, dizia "um galo, um galo", o que me dava uma vontade de rir histérico-nervosa
- ela não levou uma tareia, caíu
- é sempre bom ter água; para beber, para lavar feridas, para o caraças
- não vale a pena repetir "não corras" até à exaustão
- eu sei que todas as crianças caem
- eu, à minha conta, parti a cabeça (porque queria ter o cabelo comprido, não tinha, e pus um saiote a fingir de cabeleira; meneei a cabeça contra uma mesa de ferro e fui ao colo para os bombeiros), rasguei o sobrolho a jogar à cabra cega, queimei os dois braços com salpicos de açúcar queimado e esfolei os joelhos até conseguir fazer marcas para a vida
- nunca tive o cabelo verdadeiramente comprido e na minha casa deixou de se fazer molotof; sempre achei a cabra cega uma parvoíce
- ontem senti aquela vontade, aquela de que fosse eu, que fosse a minha cabeça, a minha cara, o meu olho; desejei tanto que fosse eu; não resulta
- quando se vê ao espelho aponta para o "dódói", de resto não se lembra
- esta miúda não é nada caguichas
- Mariana, como é que faz o galo? "Cócó!"

19.8.05

A menina do mar


A praia mais desmancha-prazeres de Portugal



Nunca combina a folga das vagas e da ventania.

A família mais portuguesa de Portugal



Amanhã partimos para Sortelha e depois Monsanto.
Crescemos de dois para três porque o Oeste não comporta em paz dois juniores da mesma linhagem.
Mas é verdade que evoluímos muito desde o ano passado. A piolha come bem e faz sestas. Melhor só quando o fizer sozinha. Isso, dormir noites inteiras, deixar de tentar arrear no primo (é rufia, mas não é caguinchas o que não lhe vale uma simpatia unânime; eu não conto...) e aprender a resgatar os seus pertences sem intervenção superior e debulhe de lágrimas várias. Talvez na próxima década eu volte a comer o peixe ainda quente.

18.8.05

Mood Swing



Dois primos com 15 meses de diferença e menos de cinco anos em conjunto desequilibram uma família. Correm, birram e choram com uma velocidade e endurance que desafiam as leis da física. Da nossa (resistência) física.

Language quiz



A páia é onde está o máie, onde se tomam manhos e se vêem os cacos.

A Oeste nada de novo


15.8.05

Férias de Ponto


Registo

Tem duas sardas no nariz.

Entreposto

Viémos a casa trocar de linha. E usar a internet por cabo. Já estávamos os dois com sintomas de privação. Sick.
Achava que ia trocar a roupa, mas não me apeteceu. Orgulho-me das nossas malas leves e fuss free (sem secador de cabelo!). Levo um fato de treino para ela, não vá arrefecer (I wish).
Acho mal hoje ser feriado porque tinha planos ambiciosos para o único dia de semana na metrópole. Ia comprar uma lã azul petróleo e o número novo da revista. E talvez mais um conjunto de agulhas.
Ela tem estado com um péssimo feitio.
Nós também.
Ontem vi um bocado de um filme muito impressionante com o Ed Norton. Gosto muito do Ed Norton. O filme era assustador. Não vi tudo porque já era muito tarde. Claro que mais valia ter visto tudo sobre esta história da América porque ela acordou a chorar, a chamar, a teatrar uma noite horripilante e acabou por consegui-la. O pappy está trombudo. Eu estou anestesiada. Ela está ali a ver o Bob.
Vou arrancar umas ervas do microjardim, regar e empacotar a disposição para seguir viagem. Este feriado não se faz.

13.8.05

Demi


ma non Moore.

Ceci n’est pas un couple


Ceci n’est pas un genou


Magritta



Há dois anos tinha a barriga cheia. Hoje tenho o coração.

Esmeralda



... and the hunchback of Barrieiro.

10.8.05

7.8.05

Fish


é

Tractor


Molham-me

- águas azuis, muito azuis, enquadradas por ladrilhinhos pequeninos, azuis, que quase me envergonham quando me afogueio na visão de águas mais escuras
- os xixis ao léu, que escorrem em surpresa, dela
- misturas frescas de gasosa
- lágrimas de orgulho e gratidão, que escorrem por dentro, quando a vejo tão crescida, tão linda, tão menina

Afogueiam-me

- as imagens que passam todos os dias na “tuão”
- as borbulhinhas várias que acordam em vários sítios dela
- as noites transpiradas
- as noites transpiradas e passeadas de cama em cama, estranhadas e rabujas
- as tardes transpiradas
- as tardes transpiradas, sestadas, em que não se consegue sair de casa antes das cinco da tarde
- as galinhas arfantes
- as lágrimas que desconheço num rectângulo semi-ardido
- as lágrimas que conheço, chantageadas, espertalhuças, finamente dirigidas aos corações incautos dos menos preparados
- as lágrimas que palmo quando umas micro-costas, quentes pela presença de terceiras gerações, atingem a má criação iterativa

6.8.05

5.8.05

Hot(li)days


My cup of tea



Neste momento era um sítio onde me apetecesse beber um chá.

Castelã



Quinze quilómetros a nordeste de Palmela, vive uma linda princesa. É capaz de correr descalça na relva, tentar apanhar grilos e morcegos (coxo, estava coxo) e meter as mãos ao alcance das bicadas das cocós. Não gosta de ficar sem pé, não mantém as braçadeiras e escorrega pelo meio da bóia. Banha-se quase nua no primeiro degrau enquanto dirige uma operação especial de eliminação de vespas (Tau bicho, tau!). Não gosta de dormir cedo e usa Caladryl, um vintage rosado, uma memória reciclada de outros verões.

1.8.05

The F-word

Amanhã, vamos todos menos o peixe, que fica de férias na casa da X.

Totós'R Us



A ideia foi minha, toldada pela visão de um mês inteiro para entreter uma criança irrequieta. Ela ficou excitadíssima com tantas coisas. Eu fiquei atarantada com tantas coisas. Coisas que custam 399 euros, têm motores e andam. Imagino a chinfrineira.
Avaliámos os triciclos, mas desistimos por razões de equilíbrio. Nosso. Eu não tenho lombares para empurrar, ela tem que crescer mais um bocadinho para conseguir pedalar.
O pappy torceu o nariz a todas as coisas de miúda (eu queria uma daquelas bancadas de cozinha para mim e depois convidava as amiguinhas e fazíamos jantarinhos e não havia loiça para lavar nem restos para dispor e tudo era cor de rosa...).
Saímos com uma bóia cor de laranja e um conjuntinho de loicinhas de plástico colorido. Acho que ainda temos um mês inteiro menos 15 minutos para preencher.

30.7.05

Balzaquiana



Obrigada amiga. Cá te espero, ao sol.

Gourmet



Ainda havia morangos.

Matiné



Fomos. A Mariana correu para todos os lados. Beijou pi-pius, remexeu riscos, comeu bolachas de aveia e ainda fez umas quantas caretas. A mummy discutiu Barcelona, espreitou umas quantas bancas e aproveitou a sombra da Rosa para uns bocadinhos de conversa. Trouxe um saco para oferecer e um crachá alusivo ao tema do momento.
Melhor, só mesmo se eu não me tivesse esquecido de levar os números de telefone dos pais da Alice.

29.7.05

Carta aberta

Queridos amigos,
Preciso de pedir-vos desculpa pela treslouquice, pela falta de notícias, pelos telefonemas entrecortados de guinchos, pelos temas fráldicos das conversas, pelo olhar deslocalizado e o discurso incoerente. Pelas migalhas que, apesar dos meus esforços de shiiva, ainda vos atingem. Pelos "temos que combinar" que nunca acontecem, pelos jantares que não partilhamos, pelos aniversários esquecidos, pelo humor inconstante.
Eu não sou a mesma. Não sou porque ninguém é sempre o mesmo e porque há 20 meses que de mim saíram duas estranhas. Ela e eu. Eu antes tinha um tempo que agora escorre, uma lucidez que desconheço. Ela exige-me aquilo que me habituei a dar-lhe, eu própria, quase toda. Sobra pouco para nós, sobra pouco para mim.
Desculpa querida S. por não conseguir desempacotar mais disponibilidade para partilhar a tua barriga, mas a minha ganhou, literalmente, vida própria. E não te impressiones que nem todas somos assim. Deve haver mães e filhas compostas, equilibradas, com casas arrumadas e pés lavados guardados em sapatos (ela às vezes não tem as meias tão sujas de andar descalça, juro). Deve haver.
Mil beijos para a Marta e um abraço alargado para ti
Ana

Personagens

Senhora das neves ou Princesa?

Nesting

Tenho uma querida amiga cheia de filha na barriga. Está na hora de fazer o ninho e só lhe apetece bicar aqui e ali. Lembro-me desses dias. Semprei achei que a piolha chegaria adiantada e preparei-me. Lembro-me das sestinhas que dormi no sofá do quarto dela, de como só me apetecia estar naquele quarto, de como cheiravam bem as gavetas, de como a imaginava e lhe pedia que esperasse só mais um bocadinho, para ter uma boa viagem.

Hoje há outro quarto e as gavetas precisam de nascer de novo e todo o seu conteúdo seleccionado. Hoje não muitas sestas e ela continua sempre um bocadinho adiantada. E é muito mais linda do que alguma vez a pude imaginar.

Globo

Aqui no gabinete estamos todos a viajar.

Alameda

Fui à minha nova Divisão de Recursos Humanos entregar papéis para o contrato. O contrato. O meu contrato, eu, a "Doutora" ("e já agora, parabéns!", com um sorriso grande de quem já conheceu muitos concursos públicos). Eu sei que isto é um disparate, mas soube-me tão bem discutir retenções na fonte...

De caminho passei pela sala, onde uma colega estava prestes a defender-se. Isto cá em baixo não é nada como em Coimbra mas, ainda assim, não havia necessidade de sentar o candidato numa cadeira onde não chega com os pés ao chão.

28.7.05

Futilices

Teve que ser, tive que fazer o teste. As malas são o meu objecto de uso preferido.

You are Coach. Chic and different is your motto. Being different and stylish is your forte, and everyone loves that! Don't forget that being yourself also means not being afraid to follow if need be.

E eu que sempre achei que era um grande saco...


O avô João também trouxe uns amigos novos, incluindo um pato e um peixe diferentes.

Amiguices



No parque, pediu uma mão que não foi a minha.
Uma colega uma vez contou-me como se lembra da primeira vez que o filho estendeu a toalha de praia ao pé dos amigos e não dos pais.

Seeding



Agora preciso dum padrão bonito para o cachecol. E de uns bocadinhos de férias para o fazer crescer.

Indian



Ao princípio encolheu-se, mas depois passou o resto da noite a comentar o péu do senhor do Delhi Palace. Isso e a comer nan com molho doce.

27.7.05



No sábado.

Memórias 8

Quando o verão era sinónimo de ócio, sestas e comezainas.
Agora, inventario recursos para fazer face a um mês de piolhice, estrebuchos vários no quotidiano prosaico das fraldas, colheradas e dormidas. Circulo as verdadeiras férias no calendário da breve fuga conjugal e amacio-me a imaginar a barrigada de beijos, abraços e risos, os excessos de pele tocada, inalada e mordiscada até que consegue, em gargalhadinhas, escapar-me e gritar Mamã! antes do próximo round.
Agora que as rotas profissionais mudaram, Benfica fica a meio caminho entre a casa e o trabalho. Não gostava de a enfiar todos os dias num carro, mas vários amigos me falam bem do Externato Fernão Mendes Pinto. Acabei de ligar e aprendi que é em Janeiro que se jogam os dados da pré-inscrição. O fax para o Externato da Torre já seguiu há uns meses, mas agora o tabuleiro das estradas já não passa por aí...

Por estas horas o pappy já está a achar a mummy uma desvairada. It's a dirty job, but...

26.7.05

20 riscas no calendário



Não me sai da cabeça e a outra mamã também não. A escola é uma coisa muito importante, é a moldura dos dias e da cabeça. Provavelmente, a maioria dos bebés de 2003 irá para a escola em Setembro, se não foi já. A Mariana é um deles e não é melhor ou mais sensível, é só minha e por isso me preocupa.
Acho-a pronta, de desenvolvimento físico e psicológico. É muito móvel, decidida e desenrascada. Fala muito e percebe tudo. Come medianamente, sem grandes manias. Dorme pouco de dia, espero que não desoriente a sesta geral. É saudável. Faz hoje 20 meses. Faço hoje 20 meses.

Esquissos para o verão

1. Corar a cara, o corpo e a disposição
2. Descorar as dúvidas
3. Colorir os olhos
4. Levar os lápis de cera e fazer a Mariana perceber que não são para mordiscar
5. Tatuar-me de bom humor
6. Apagar as contrariedades maiores
7. Esborratar as contrariedades menores
8. Afiar a imaginação
9. Picotar os momentos solarengos para guardar no álbum da vidinha
10. Ocupar estes últimos dias com boas perspectivas para o mês em branco, em vez de esmiuçar as rugas do papel ou procurar o ponto de fuga.
Não cheirava a lágrimas de cera e pólen, como é costume. Estava tudo cá fora a rever os retratos que só se encontram nas efemérides, a comparar proles e rugas, a partilhar mentalmente memórias surdas de almoçaradas e parabéns.
O luto é uma coisa que chega a cada um como cada qual, mas não posso deixar de admirar a contenção, a (des)graça embalada num sotaque mais manso.

É melhor ser alegre que ser triste
Alegria é a melhor coisa que existe
É assim como a luz no coração
Mas pra fazer um samba com beleza
É preciso um bocado de tristeza
É preciso um bocado de tristeza
Se não, não se faz um samba não.

Fazer samba não é contar piada
E quem faz samba assim não é de nada
O bom samba é uma forma de oração
Porque o samba é a tristeza que balança
E a tristeza tem sempre uma esperança
Tristeza tem sempre uma esperança
De um dia não ser mais triste não.


[Samba da Benção, Vinicius de Moraes]

25.7.05

Depois do Conhecimentos dos Mares

Faz hoje seis anos, já vai para a primeira classe.
Ando a fazer tempo para a levar lá. Para isso e para lhe cortar o cabelo.

My mistake

Isto do cabelo trespassou-me para a mioleira.
Estou com cor de inverno e só me apetece o outono. Não fica nada bem com o biquini, com os calções. Acho que pareço um bocado gótica. Será que ainda se vendem Dr Martens em Lisboa? Sempre quis ter umas azul petróleo. Se alguém me vir de eyeliner na mão por favor acuda. Sou a única do gabinete contente com as nuvens, com os acinzentados do Tejo. Conheço-me. Estou ansiosa pelos desafios, que eu não sou de ficar à espera da vidinha. Nunca adiei um exame, casei-me depressa, quis ir defender a tese, quis ir parir a miúda. Só não vou tão depressa ao dentista.
Respiro...

ansiedade
do Lat. anxietate
s. f., dificuldade de respiração; opressão; angústia; inquietação de espírito; desejo veemente; impaciência; cabelo cor de beringela em Julho.

Alive & Kicking

Hoje vou a um velório. Não é uma pessoa próxima, é família de família. Mas há família próxima envolvida e eu estou cheia de pena. E estou farta de pensar na vida. Na minha e, principalmente, na dos outros. Outros que vivem vidinhas consumidas, que só vêem copos meios vazios, que se preocupam com tudo e se riem pouco. É um disparate. Vivam as cigarras. As formigas são umas chatas e ninguém aprecia pessoas chatas. Ai que eu não quero ser chata. Por favor. Vou deixar de ser tão chata já agora. Agorinha. Vou já rir-me aqui sozinha, sorrir-me, sorrir-lhe, beber um café e comer um bolo. Se me apetecer, com creme (nunca me apetecem os bolos com creme, mas é uma metáfora)
E sobre o kicking*, para ela (definitivamente) e para mim (em estudo).


*no catálogo da Vertbaudet

24.7.05

Aubergine

Eu gosto muito de beringelas. Recheada, panada, assada, em ratatouille.
Numa impensada premiére da nova estação (porque se vai usar muito, vão ver) deixei cozinhá-la no meu cabelo. Que agora está... escuro.

Trinta e noves fora, muito


Um aniversário de casal, um casal de filhos, um casal de netos; três casais de pais, dois casais de filhos médios, um casal de filhos pequenos. Quatro masculinos e quatro femininos. Salada de polvo, sopa de peixe, lulas, arroz de polvo, tarte de requeijão*.


*Isto da ementa é só para fazer inveja às amigas estrangeiradas. Para me pagar das saudades que já tenho de chuva, de fresco, de mais a norte.

23.7.05

Apple Crumble


Apple Beach Babe



Cada vez mais à vontade, mais divertida, mais salgada.